Não me levem a mal, 70 mil mortos, mais de mil desaparecidos, milhões de desabrigados e bilhões em prejuízo não é nada legal, nem parece ter nada de positivo. Porém reações inesperadas por parte do governo chinês, da sua população e da comunidade internacional após o terremoto, merecem ser reconhecidas e consideradas positivas, mesmo com toda a desgraça ocorrida.
Aqueles que conhecem a realidade chinesa um pouco mais de perto, sabem que seja por motivos culturais, históricos, super populacionais, ou o que for; o povo chinês não é um povo solidário. Existem limites bem claros e definindo até aonde vai e para quem é destinada a preocupação, cortesia e generosidade do chinês. Quem vivem aqui percebe isso no dia-a-dia. Porém a comoção com relação as vítimas do terremoto foi tanta que houve vários casos de pessoas que abandonaram seu trabalho e se deslocaram para as áreas afetadas imediatamente após o desastre para trabalharem como voluntários. Foram levantados vários milhões de yuans em doações que partiram de celebridades, empresários e de pessoas extremamente humildes.
A comunidade internacional se mostrou ávida a ajudar com missões de especialistas, voluntários, envios de materiais assistenciais e recursos financeiros. O governo chinês por sua vez, num ato raro de humildade aceitou de bom grado toda a ajuda oferecida, melhorando inclusive suas até então relações belicosas com vizinhos Taiwan e Japão. Foram liberados vôos charter de Taiwan para China e vice-versa para vítimas do desastre e voluntários taiwaneses numa iniciativa inédita. A postura do governo chinês também serviu de exemplo para o vizinho próximo Mianmar, que recentemente sofreu com um desastre natural e estava até então impedindo o ingresso de voluntários estrangeiros.
Tudo isso não só apaziguou as complicadas relações da China com seus vizinhos como despertou um intenso espírito nacionalista e solidário entre a população, permitindo uma resposta rápida para a emergência causada pelo desastre.
Nota 13 para o site que com maturidade mostra a China do novo século.
Esta bom em conteúdo, formato e método.
Abraços, Jailson.
Site para não voltar mais. Relação belicosa? com a “vizinha” Taiwan?
Ou é falta de respeito pelo leitor ou é não saber o que escreve. Nenhum deles duvida que são o mesmo país. Taiwan nem declarou independência.
Caro Marco,
Você tem toda razão ao dizer que Taiwan não declarou sua independência oficialmente, ou ao menos que ela não foi reconhecida oficialmente. Mas conversando com qualquer chinês, seja do continente ou de Taiwan você pode perceber que indiferente do desejo de unificação ou não, todos sabem que de fato os dois territórios não funcionam como um só país.
Fica difícil discordar disso quando se sabe que para entrar nos dois “países” são necessários vistos diferentes, que as moedas são diferentes, que escrita tradicional utilizada até hoje em Taiwan é bem diferente da simplificada utilizada no continente, que os sistemas políticos são bem diferentes e como foi visto durante as olimpíadas as delegações olímpicas eram separadas.
Para ler um pouco mais sobre o movimento de independência de Taiwan e sobre a discussão a respeito dela poder ser considerada independente ou não recomendo dar uma olhada no link:
http://en.wikipedia.org/wiki/Taiwan_independence