Quem acha que não existe Natal aqui na China está mal informado. Muito antes do dia 25 de Dezembro você já pode ver as lojas decoradas, e muito provavelmente seu restaurante favorito terá obrigado todos os funcionários a usarem um chapéu de Papai Noel e alguns corajosos até ensaiam um “Merry Christmas” no lugar do tradicional “Hello”. Tudo isso em Novembro. Sim, afinal estamos falando de uma época em que a China ganha *muito* dinheiro, ou de onde você acha que vêm os presentes que você comprou? E sem falar em todos os enfeites… Pensando nesse aspecto, até eu passaria dois meses comemorando!
Apesar dos expatriados ficarem mais sensíveis durante a época do Natal por estarem longe das suas famílias, os que ficam aqui definitivamente se divertem. A adoção de um costume estrangeiro sempre traz desentendimentos, isso é fato. No Brasil, país predominantemente católico, onde este feriado faz todo o sentido, somos obrigados a ver flocos de neve enfeitando as árvores e existe sempre um shopping center que gasta rios de dinheiro em feltro branco para recobrir toda a sua área comum. Sejamos bem honestos, qualquer um acharia graça a recriação do inverno num calor de 40°.
Aqui na China são pequenos detalhes, que se você bobear, não percebe. Pequenas inconsistências que são muito engraçadas e refletem a personalidade do povo Chinês, ávido por novidades mas com uma mentalidade tradicional que ainda fala muito alto. Passando um dia em frente a Casa de Chá que fica ao lado de casa, eu precisei parar para rir. Dê uma olhadinha na foto abaixo pra ver se você pega o detalhe:
Explicando: a arte de paper cutting ou recorte de papel (JianZhi) é uma forma de arte muito antiga aqui da China e é muito utilizada durante as festividades em geral. Inicialmente o papel era muito caro e somente os nobres tinham acesso a ele para entretenimento. Hoje em dia, qualquer mortal pode ter acesso às esculturas maravilhosas que acabam sempre emolduradas na parede de tão trabalhadas que são. Sacie a sua curiosidade dando um search por chinese paper cutting Google images.
Sabendo disso, fica fácil imaginar porque o dono da Casa de Chá usou esse estêncil de decoração e ao invés de utilizá-lo para pintar a vitrine, fez tudo à mão livre.
Imagino que, para um povo que valoriza tanto o papel, não seja nada óbvio pensar que se usa o estêncil para pintar o miolo, e o papel mesmo que é bom … Nós jogamos fora. E o mais engraçado dessa história toda, é a decepção dele com a simplicidade dos recortes com motivos Ocidentais. [risos]
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